Ontem estava no banco, esperando horas para um atendimento, digno de uma segunda feira. Eis então que começo a ouvir um homem falando cada vez mais alto, até que por fim conseguiu tirar minha atenção do livro que eu lia.
Esse homem tinha uma criança no colo, de mais ou menos uns 5 ou 6 anos, e uma outro ao lado acompanhava. Ele contou sua história triste em alto e bom som, já que estava destinando a quem pudesse ouvir, ele gesticulava e mostrava uma dezena de receitas de remédios, dizia que tinha vindo de Roraima com a família, que o carro teria quebrado a caixa de marcha em Cáceres e que agora estava preso aqui, em Nova Xavantina com a mulher doente e sem dinheiro, dizia que nunca tinha pedido dinheiro, que a prefeitura não o quis ajudar, mas era muito teatral, pelo menos para mim e alguns que notei que quase riam, pra exemplificar melhor ele parecia que interpretava um papel de novela mexicana, além do filho pequeno ao lado, de uns 8 anos não demonstrar qualquer sentimento, não se sentir mal pela dor que mãe na história sentia, o cara chorou, contou a história triste e no fim não me convenceu, acho que me resta algo de paulista ainda, algo que nunca deixa minha guarda baixa, que me faz desconfiar de tudo e de todos.
Qual foi minha surpresa quando reparei que muitos dos presentes se emocionaram, algumas senhoras choraram, jovens choraram. alguns foram até os caixas e sacaram dinheiro, pelo menos uma vintena ou mais deu dinheiro para aquele senhor, tantos outros talvez quisessem, mas não tinha como. E eu fiquei em choque, como tantas pessoas eram ludibriadas facilmente, como a essa altura na evolução podia-se manipular facilmente o povo. Pensei nos políticos, pensei nas igrejas e seus pastores que ganham rios de dinheiro em cima da crença de pessoas como essa, que acreditam, que tem empatia, mesmo não tendo certeza, acho que isto é a verdadeira fé.
Foi então que tive uma revelação, que eu não era mais do que um babaca julgando, quando deveria agradecer, agradecer sim por aquelas pessoas e por sua empatia. Eu que me encontro em um tempo de pouca fé, principalmente na humanidade e no nosso futuro como espécie, ate então estava concentrado no lugar errado, eu pensava no mal que um charlatão pode fazer e como sempre existirá pessoas que vão ser enganadas e que a humanidade nunca chegaria à algum lugar assim. Não tinha reparado até então que enquanto uma pessoa tentava passar a perna, ser mais esperto, corrupto, mais de uma vintena se movia pelo que achava certo, seguia o coração, demostrava empatia e fazia o bem, com base na fé do que é certo. Então eu pesei, a conta é fácil, não existem tantas pessoas ruins quanto as boas, e por mais que elas sejam manipuláveis, ainda fazem o que acham certo, então quem sabe ainda haja esperança.
Lembei que um dia me falaram na igreja que não importa se o mendigo vai beber cachaça com o dinheiro que você deu, o que importa é que você deu de coração, que você tentou ajudar e isso já pesou na balança do universo.
Eu na minha arrogância talvez precise aprender a ter empatia, talvez o problema não seja nem os bom empáticos nem os maus charlatões e sim os arrogantes que julgam sem se mover e sem realmente entender, como eu, ontem no banco.
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